terça-feira, 6 de março de 2012

Quando as máquinas dizem o que importa



Você está trocando mensagens com amigos e, para sua surpresa, os anúncios publicitários que surgem no canto da tela têm a ver com a conversa. Entra em um site de livraria e recebe sugestões que estão relacionadas àquilo que andou lendo e pesquisando nos últimos tempos. Outro site diz que, se você gostou do último disco de Chico Buarque, talvez também vá gostar do novo do Lenine. Tudo automático. É a internet, que sabe cada vez mais sobre você, e quer mostrar a coisa certa na hora certa.

Essa personalização é possível graças aos agentes inteligentes – softwares que reconhecem os padrões de comportamento dos usuários e se adaptam ao feed-back que recebem da massa de internautas conectados. São os chamados sistemas de recomendação, que cruzam dados que não param de chegar e conseguem resultados cada vez mais sofisticados. Os portais de busca também se utilizam deles para ficarem mais eficientes, e assim facilitarem a navegação no dilúvio informativo da internet.

Saiba mais
As novas formas de ver, escutar e pensar
Mas a presença desses sistemas em um número crescente de serviços levanta questões importantes para pensadores da era digital. A máquina filtra informações e torna invisível o que, supostamente, não interessa aos usuários. Além de armazenar informações pessoais à revelia das pessoas – que podem prejudicá-las no futuro –, não seria isso muita responsabilidade para robozinhos incapazes de demonstrar bom senso?

Mediação que isola

“Essas recomendações são interessantes, mas acabam com uma possibilidade que é a grande riqueza das redes e do ciberespaço: o encontro de coisas que não se está procurando necessariamente”, diz o professor da Faculdade de Comunicação da UFBA, André Lemos, que desde 2000 alerta para o fechamento da web por iniciativas como a dos portais, que “aprisionam” os usuários com sua diversidade de serviços, e os desencoraja a “flanar” pela rede.

“É a experiência da livraria e da biblioteca. Você vai procurar um livro específico. Mas o interessante é passear pelas prateleiras, ver algo que não estava procurando e se surpreender. A internet seria uma livraria gigantesca, onde você encontra coisas as mais diferentes possíveis. Mas chegamos a uma era em que essas indicações personalizadas podem minar, no futuro, essa possibilidade de encontrar coisas ao acaso”, diz Lemos.

Com softwares dizendo o que é relevante, a vantagem da web em relação ao modelo de mídia anterior – em que os responsáveis por fazer a curadoria da informação eram os meios de comunicação de massa – fica em xeque. “Não estou dizendo que a diversidade vai acabar, prevendo um mundo cinza e homogêneo”, diz Lemos. “A questão é o uso que se vai fazer disso. A potência transformadora está sempre aí.”

“Somos artificiais por natureza”

Há culto à tecnologia em toda parte. Seja pela sedução de produtos sempre mais mágicos que seus anteriores, seja pelas promessas da ciência, que chegam a falar em imortalidade. Mas basta lembrar de famosas distopias do cinema, como o clássico Metrópolis (1927), passar pelos robôs malucos de 2001 – Uma Odisseia no Espaço e Blade Runner – O Caçador de Androides e chegar à febre da trilogia Matrix para atestar a relação de medo e fascínio que habita o imaginário coletivo e que, volta e meia, surge no cotidiano da vida nos anos 2010.

Gente que teve de subir e descer muita escada atrás de livros em bibliotecas anda preocupada com o comportamento aéreo de jovens que têm, na palma da mão, ferramentas poderosas como o Google. Cientistas divididos entre otimismo e pessimismo: o hipertexto instiga a inteligência ao permitir uma linguagem multilinear, como afirmam entusiastas na linha do filósofo francês Pierre Lévy? Ou enfraquece processos cognitivos e nos tornam mais superficiais, como sugere Nicholas Carr? Por via das dúvidas, há quem prefira temer a tecnologia.

“Isso existe desde a antiguidade”, diz o professor da Faculdade de Comunicação da UFBA e pesquisador do CNPq André Lemos. De acordo com o acadêmico, a relação conflituosa existe desde os tempos de Aristóteles e Platão. “Nos mitos, a técnica era sempre ensinada pelos deuses. Eles ensinavam a usar as tecnologias como a agricultura, o fogo. Mas sempre que alguém tentava brincar de deus, vinha uma punição”, explica. “Essa relação ambígua continua hoje. E os objetos continuam sendo mágicos. Usamos computadores, mas geralmente não temos ideia de como funcionam”, diz.

Embora a própria tecnologia da escrita possa ser considerada originária de alterações nas capacidades mentais, como o pensamento racional e analítico, o e-book já é visto com desconfiança em relação ao livro de papel, mesmo que as únicas mudanças digam respeito à mobilidade. “O medo e o fascínio são mesmo estruturantes da nossa relação”, diz Lemos.

Para alguns, a solução parece ser o afastamento. Mas, de acordo com Lemos, não faz sentido fugir da técnica. “Não há o homem sem essa dimensão”, diz o pesquisador. “O primeiro da nossa espécie foi o Homo habilis. A manipulação do artefato mudou o córtex cerebral. Transformamos a natureza para habitar. A dependência da técnica é constitutiva do homem. O que acontece é que estamos vivendo o ápice dessa transformação”, diz Lemos.

Risco

Por outro lado, o risco da dependência realmente existe. Há uma sobrecarga de novos dispositivos sendo lançados a todo momento, e eles estão cada vez mais presentes no cotidiano. O ritmo e a quantidade em que surgem novas informações nestes aparelhinhos têm contornos verdadeiramente neuróticos. E, embora seja interessante que a dependência hoje seja em relação a dispositivos de comunicação – o que remete a uma dimensão social, ao contrário da lógica produtiva dos produtos de tempos passados –, é preciso maneirar, de acordo com Lemos. “Não podemos ficar reféns dos artefatos”, diz.

“Nosso perigo não é a técnica. O que temos de fazer hoje é achar o ponto de recuo – nos desconectarmos, pensarmos criticamente. O que vai definir o sujeito não é o seu afastamento dos objetos para achar a pureza interior. Mas sim, como é que nos vinculamos às coisas” diz o pesquisador. “A forma como nos relacionamos com estas tecnologias é o que define a nossa dignidade.”

Gazeta do Povo - http://www.gazetadopovo.com.br/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=1229515&tit=Quando-as-maquinas-dizem-o-que-importa

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Retrospectiva do Twitter e memória colaborativa

Fazia muito tempo que eu não postava não por falta de assunto, mas de tempo mesmo.
Ontem decidi criar coragem para postar porque fui surpreendida por duas iniciativas interessantes – A Retrospectiva 2011 no Twitter e a retrospectiva dos assuntos mais comentados no Facebook.
Quem acompanha os post pelo Twitter (@Izairathalita) deve ter visto alguns comentários breves que coloquei, mas o blog serve para justamente explicar melhor minhas impressões acerca dessa novidade.
Primeiro é importante lembrar que as Redes Sociais na Internet (ou RSIs para diferenciar das Redes Sociais não virtuais - SANTAELLA, 2011) surgiram para manter ou criar novos laços de relacionamento mediados por computador (RECUERO, 2009, p. 143). Sua finalidade não era informacional.
Quando o Twitter surgiu em 2006 sua pergunta principal, destacada no topo era ‘O que você está fazendo agora?’. Nos últimos cinco anos, a partir das trocas realizadas pelos usuários do Twitter dando-lhe uma característica de uma rede mais informacional – onde a informação passa a ser uma forma de obter prestígio e novos seguidores (Capital Social – RECUERO, 2009) a frase mudou diversas vezes para se adequar a essa característica redesenhada na rede. Hoje a frase principal do Twitter é: ‘Saiba o que está acontecendo no mundo agora’.


Pois bem. No momento que o Twitter coloca no ar a sua Retrospectiva 2011 com os assuntos mais comentados, histórias que surgiram na rede social e os números de Twittes por assunto, tem pontos interessantes que devem ser analisados (com base em muitas leituras que depois faço questão de deixar as referências aqui):




1 – A rede assume sua característica informativa como principal ‘capital social’. A Retrospectiva é um recurso típico das mídias de informação – Jornal, Rádio, TV, Portais informativos na Internet para relembrar ‘os fatos’ mais marcantes daquele ano. Para quem acompanha as notícias e para quem não as acompanha a retrospectiva tem aquela prerrogativa – como se diz nos estudos do Jornalismo – de uma tentativa de organização da sociedade.

2 – No momento em que o Twitter realiza sua retrospectiva aciona a memória construída colaborativamente pelos seguidores na rede social e que, em um dado momento, foi realizado em tempo real. Em Análise do Discurso este é um tema importante para pesquisas nessa área, ou seja, Mídia e memória discursiva. As retrospectivas das mídias em geral tem o papel de reforçar o discurso de lembrança-esquecimento muito freqüentes para que o leitor, usuário, expectador sinta-se parte dessa organização.
Para Pecheux há dois tipos de memória: A vivida pessoalmente e a vivida coletivamente e não necessariamente presenciada. Esta última se realiza principalmente através dos meios de comunicação. Para reforçar eis o que diz Ribeiro e Ferreira (2007) no livro ‘Mídia e Memória - A produção de sentidos nos meios de comunicação’:

“O jornalismo faz, não só do presente, mas do seu passado, as referências fundamentais da sua experiência testemunhal do mundo. É na reconstrução do fato da atualidade, sempre fugaz e também nos seus rituais de rememoração subseqüentes que o jornalismo dá dimensão memorável à experiência humana e sentido a si mesmo como sujeito social/institucional”



3 – A retrospectiva na rede social é uma tentativa de controle desse grande conteúdo informacional que circula e que no meio Internet parece difícil de ser mensurado onde a necessidade de organização é muito maior. Da mesma forma que acontece com outras mídias tradicionais há um filtro, uma seleção do que é e pode ser considerado mais importante de ser lembrado e, logo, não esquecido.


4 - Há a intencionalidade de se reforçar o papel da própria rede (como plataforma de informação, denúncia, articulação por parte dos usuários) quando ela destaca, por exemplo, sua importância no ativismo dos que protestaram no Egito e na ‘Primavera árabe’.

Há tantos outros pontos que destaco, mas que pretendo transformar em um artigo para minha atividade da Pós em Mídias Sociais (disciplina do professor Iano Flávio - @ianoflavio) - pois denotam aspectos como liberdade e controle de informações e, porque não, de memórias.

Voltaremos em breve. =D


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Estratégias da Comunicação em Mídias Sociais


A partir desse mês de agosto os que pretendem seguir o caminho de mercado e de pesquisa na área de Mídias Sociais podem realizar sua Pós-Graduação em Estratégias da Comunicação em Mídias Sociais pela FATERN/ESTÁCIO em Natal.

A aula inaugural da primeira turma dessa especialização será dia 23 de agosto às 19h00 na FATERN em Natal (RN). Me inscrevi e tive acesso ao conteúdo do curso que é composto de 20 módulos (um por mês/ um sábado e domingo) é atualizado com os estudos na área da Internet e da comunicação de um modo geral inclusive em termos de leituras e textos com boa base teórica nso estudos da Cibercultura. No próximo post, dou mais detalhes do conteúdo dos módulos.

O coordenador do curso é o mestre Antonino Condorelli - italiano radicado há uma década em terras potiguares, formando em Ciências da Comunicação na Itália e Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Sua experiência em comunicação jornalística digital lhe rendeu o convite da coordenação do curso de graduação em Comunicação Social da FATERN e depois para criar e coordenar o primeiro curso de especialização em comunicação digital da instituição e do Estado.

Condorelli afirma que a primeira turma da especializaçãointegra uma aposta transdisciplinar que em termos de currículo está na vanguarda das pós-graduações na área de mídias sociais do Brasil inteiro, reconhecido por pesquisadores de importantes instituições nacionais como a Fundação Getúlio Vargas e o grupo de pesquisa e consultoria em redes de conhecimento Neuroredes.

"Esse curso de especialização é uma aposta que eu concebi e que a FATERN/Estácio tornou realidade um dos mais instigantes e complexos desafios de minha vida acadêmica. No nosso Curso de Especialização “Estratégias de Comunicação em Mídias Sociais”, teoria e prática andam de mãos dadas e pretende instigar alunos e docentes a se interrogarem juntos sobre questões fundamentais, a construir coletivamente novos conhecimentos estimulando um olhar abrangente, multidimensional e polifônico sobre as mídias sociais", afirma Condorelli.

O coordenador também possui seu Blog Diálogos Criativos.
Quem quiser mais informações sobre essa Pós-Graduação, acesse AQUI o site da FATERN ou a 'Fan Page' do curso no Facebook.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Smartphones e tablets: avanços da tecnologia ou intrusos do cotidiano?


Tablets e smartphones têm permitido cada vez mais um mundo conectado. Com essas ferramentas, atualizar perfis em redes sociais, ler e-mails e até assistir TV passaram a ser atividades que se faz em qualquer hora e em qualquer lugar. Mas até que ponto este avanço é positivo para o nosso dia-a-dia e como ele afeta as nossas relações. Este é um dos assuntos que será debatido amanhã (22), último dia do 31º Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, no Centro de Convenções de Natal.

O painel “Computação Ubíqua: a qualquer hora e em qualquer lugar – intrusiva ou não?” discutirá o advento de dispositivos e softwares de comunicação cada vez mais presentes no nosso cotidiano. O debate contará com a participação de Rodrigo Michel, representante da Oi SP; Mário Cintra, da Samsung; e Adler Silva, da Google. A discussão será realizada das 11h às 13h no Pavilhão Morton Mariz de Faria.

TV DIGITAL
Os debates sobre o avanço das tecnologias e como isso muda a vida da população continua à tarde, a partir das 14h30. O painel “Inclusão Digital: Experiências, Perspectivas e Desafios Futuros” apresentará e discutirá experiências recentes de programas e iniciativas de inclusão digital no País. Entre os painelistas estará o professor da PUC Rio, Luís Fernando Soares, considerado o “Pai da TV Digital” no Brasil. Soares é o criador do sistema Ginga (inovação brasileira que permite a interatividade na TV Digital do País).

Diferente de outros sistemas utilizados no mundo, o Ginga dá um suporte maior, permitindo uma interatividade mais inteligente, mais próxima do telespectador. E o próprio Luiz Fernando Gomes Soares defende que, hoje, as aplicações do software ainda estão aquém do que ele permite. “As aplicações de telefone e TV hoje ainda não usam nem 5% da capacidade que o Ginga oferece. É preciso mais criatividade”.

Estarão com ele no debate o deputado federal Rogério Marinho, que falará sobre o programa “Metrópole Digital”; e o conselheiro do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), Carlos Afonso.


SOBRE O CONGRESSO

Esta é a primeira vez que a capital potiguar recebe o 31º Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, o maior evento do setor no País. Nesta edição, o evento reúne cerca de 3 mil pessoas para debater o tema “Computação para Todos: No Caminho da Evolução Social”. Entre os assuntos discutidos estão o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), TV digital e a ampliação do acesso à informática. Para estas e outras discussões, estão confirmados representantes do MCT, CNPq e Capes, além da Microsoft, Amazon, Telebrás, Internet Society e Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Fonte: Oficina da Notícia

terça-feira, 19 de julho de 2011

Mulheres ocupam menos de 10% das vagas na carreira de TI


Participação feminina no mercado de informática é um dos assuntos que será debatido amanhã durante o 31º Congresso da Sociedade Brasileira de Computação em Natal.

Elas são belas, delicadas e... Raras! Assim são as mulheres no mercado de trabalho da Tecnologia da Informação. As profissionais do sexo feminino já chegaram a fazer diferença e equilibrar o jogo com os homens na área de informática, ocupando aproximadamente metade das vagas oferecidas em cursos e empresas do setor. Porém, hoje o número de meninas interessadas nas carreiras de engenharia não chega a 10%. É pensando em estimular a participação das mulheres nesse mercado que, desde 2005, a Sociedade Brasileira de Computação (SBC) realiza o Women in Information Tecnology (Mulheres na Tecnologia da Informação). Este é um dos eventos que movimenta o Congresso da SBC a partir de amanhã, no Centro de Convenções de Natal. A ideia é quebrar tabus e debater importância da participação das “meninas” nesse mercado que, em alguns casos, chega a oferecer quatro vagas por profissional formado.

Dentro do próprio WIT, a SBC vai realizar este ano uma iniciativa pioneira: o Fórum Meninas Digitais que começa na quinta-feira. O objetivo é trazer algumas jovens estudantes do Ensino Médio para assistirem palestras e mudar o estima da profissão. “Percebemos que a maior parte das meninas se desestimulavam pela carreira na área de informática ainda muito jovem. Não se sabe exatamente porque isso acontece, é o que tentamos descobrir e reverter. O que acredita-se é que a profissão é estigmatizada e falta informação sobre o futuro real de um profissional de TI”, explica a professora do Departamento de Informática do Centro Técnico Científico da PUC (CTC/PUC Rio), Karin Breitman. Ela é também uma das coordenadoras gerais do WIT.

Além do Fórum para as estudantes mais jovens, o WIT vai mostrar experiências bem sucedidas de mulheres no setor. É o caso de Carolina Howard Felicíssimo, engenheira de Comercialização da Schlumberger Limited, empresa onde trabalha há dois anos. Para sua palestra, que está marcada para as 9h40, Carolina escolheu um nome que diz tudo sobre sua experiência “De ‘Prince of Persia’ a plataformas de petróleo no Mar do Norte, um caminho árduo, mas trilhado no salto alto!”. Ela aproveitará o espaço para contar suas experiências, como uma das poucas mulheres que escolheram a carreira de Engenharia de Software.

Várias empresas já compreenderam a necessidade de estimular as mulheres a ingressarem no ramo de informática. Por isso, o WIT conta com o apoio de empresas como a Microsoft, HP e Google.

SOBRE O CONGRESSO

Esta é a primeira vez que a capital potiguar recebe o 31º Congresso da Sociedade Brasileira de Computação, o maior evento do setor no País. Nesta edição, o evento reúne cerca de 3 mil pessoas para debater o tema “Computação para Todos: No Caminho da Evolução Social”. Entre os assuntos discutidos estão o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), TV digital e a ampliação do acesso à informática. Para estas e outras discussões, estão confirmados representantes do MCT, CNPq e Capes, além da Microsoft, Amazon, Telebrás, Internet Society e Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Fonte - OFICINA COMUNICAÇÃO CORPORATIVA

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Como as redes sociais auxiliaram nas pesquisas sobre vítimas do acidente da NOAR



Antes mesmo de ter acesso à lista oficial por parte da empresa NOAR com os nomes das dezesseis vítimas do acidente aéreo ocorrido na manhã desta quarta-feira 13 no Recife – vôo Recife-Mossoró - muitas informações já podiam ser colhidas através das redes sociais e de seus atores.

A partir das 10h, os primeiros nomes de vítimas da tragédia já estavam sendo divulgados no Twitter, antes mesmo de um pronunciamento oficial da companhia aérea. O primeiro comunicado da empresa aconteceu por volta das 11h, quatro horas após o acidente, informando que a NOAr estava sensibilizada com a tragédia e que em breve divulgariam um pronunciamento oficial. O Twitter da NoAr (@diarionoar) subiu de 1.465 seguidores para 2.005 seguidores (às 17h25).

Em Mossoró as primeiras informações apontavam para a possibilidade de boa parte dos passageiros de Mossoró no vôo o que aos poucos, foi sendo checado pelos jornalistas utilizando a força das redes sociais.

Nesse caso como em muitos outros que exige uma apuração cuidadosa e uma filtragem das informações reelevantes – inclusive nas redes sociais – o importante é ter acesso a profissionais e fontes que podem ajudar na veracidade das informações colhidas. Da mesma forma a cautela no repasse das informações foi crucial para a realização dessa filtragem.

No Jornal de Fato a equipe de reportagem utilizou todas as possibilidades que as redes sociais ofertavam no momento em que a notícia se espalhava no meio online especialmente o Twitter na garimpagem por informações mais detalhadas sobre as vítimas.

No Twitter na medida em que informações com o nome da empresa foram sendo postadas a Tag #NOAR trazia centenas de opiniões, informações, imagens, vídeos e depoimentos de pessoas sobre o tema ajudando na identificação de possíveis amigos e parentes das vítimas.

Era possível encontrar as mensagens de amigos das vítimas dando informações que poderiam ser checadas no trabalho jornalístico, além de contatos com jornalistas de outros jornais de Recife e João Pessoa que mais próximos de Recife estavam também compartilhando as informações.

Com acesso a alguns nomes e confirmação da morte por parentes e amigos, o caminho seguinte era percorrer redes como Facebook e Orkut a procura de imagens e informações como interesses profissionais, pessoais e sua rotina de postagens além das mensagens que amigos e familiares publicam nas páginas pessoais.

“Na checagem na obtenção de novas informações o Twitter foi a rede social mais reelevante para nós”, afirma o jornalista Esdras Marchezan, chefe de reportagem do Jornal de Fato.

Para quem ainda não leu recomendo este livro: Ferramentas Digitais para Jornalistas (AQUI) que dão informações sobre como trabalhar a apuração de informações no meio virtual

Conheça as apropriações jornalísticas no Twitter:
Feed – (Twitterfeed), bastidores, (sobre o processo de produção das notícias) Alerta (informações utilitárias de serviços diversos)
Cobertura (de acontecimentos e eventos – explora o caráter instantâneo da ferramenta)
Pessoal (feito por jornalistas que compartilham opiniões, ideias)
Notícia curta (mais utilizado pelas empresas de comunicação e acompanham link para site)
Programação (usado para anunciar, divulgar programação de TV ou de outros veículos)
Twitterviews – Entrevistas feitas no Twitter e que odem ser acompanhadas no momento de sua realização.
Misto (variação das opções anteriores).
(Apropriações foram encontradas em pesquisa da jornalista Gabriela Zago

terça-feira, 7 de junho de 2011

Entrevista ao professor Salaverría

Tenho o prazer de reproduzir no Blog a entrevista do amigo Esdras Marchezan ao professor Ramon Salaverria uma referência em estudos do jornalismo na Internet. A entrevista foi realizada durante palestra do profesor ao grupo dos Diários Associados - Diário de Pernambuco.

Esdras estava na expectativa de conseguir essa entrevista e nós incentivamos e quase que o intimamos a fazê-la pela importância do registro e pela oportunidade de conversar com o pesquisador. O conteúdo é de primeiríssima qualidade. Confiram: